terça-feira, 14 de março de 2017

Menina

Vi-te contar o dinheiro vezes sem conta
enrolado num saco de plástico
Estavas dois lugares à frente, mas foi impossível não olhar
Achei que querias ter a certeza que chegava…
Agora, não sei se sabias contar
Umas notas sujas, umas moedas corroídas...
Não chegou
As maças ficaram, o óleo ficou
Trocaste por farinha e pão
Nunca vou esquecer esse olhar doce e triste
olhando, quem sabe, o meu e outros cestos rasos de caprichos
Fiquei sem reação, quando vi metade da tua singela necessidade 
colocada de lado no balcão
Saí a pensar em ti, em te encontrar
Tinhas desaparecido no meu remorso de nada fazer
Desculpa, Menina.
Sou apenas mais um no rebanho



Março 2017

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

De volta às janelas

Abertas, aterradoras, imundas de genocídio
Amaldiçoamos os obreiros de tais feitos
que limpam o sangue das mãos em tratados de dejectos
Porém, ficamos imóveis à espera de novos tempos,
ou rezamos a Deuses imaginários
Esquecemos os corpos caídos, mutilados
As Crianças que vagueiam nos destroços
As valas comuns de corpos
As bandeiras de causas repugnantes, sem sentido
Esquecemo-nos de condenar tais assombros
Esquecemo-nos que seremos os próximos
se fecharmos a janela só para abafar os gritos
Sejamos corajosos, interventivos
Sejamos unos, revoltemo-nos
Os que ainda sobrevivem, e se erguem das cinzas em pranto,
merecem muito mais que lamentos.



Dezembro 2016

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ensaio do Caos

Caminhos tortuosos que estreitam em cada passo
levam-te para além do imaginável
Não chores lágrimas de sangue
far-te-ão  falta para morrer com dignidade
Serás mártir, serás falado em manuais vindouros
Quando o mundo desabar da ilusão
O sol cair
A noite negrejar a imensidão
Lanças e punhais no teu guião
Do romance assombroso do fim do mundo
impedem que adormeças calado
gritam como loucos no teu ouvido
Serás mártir, serás falado em manuais vindouros
Quando o mundo desabar da ilusão
O sol cair
A noite negrejar a imensidão
Anarquia, mentes perversas
Tomarão o controlo das marionetas
Sugarão a vida dos homens bons
Acenderão as chamas dos infernos
Serás mártir, serás falado em manuais vindouros
Quando o mundo desabar da ilusão
O sol cair
A noite negrejar a imensidão

 Por fim, a ressurreição que recomeçará tudo.




Novembro 2016